Corações ardentes; pés a caminho (Lc 24, 32)

Estamos chegando ao final do mês missionário, e não podemos cair no erro de pensar e refletir a missão somente neste mês, acabou outubro acabou a missão. Da mesma forma, não é somente em agosto que rezamos e refletimos sobre vocação, no mês vocacional é dado ênfase, mas a reflexão e a oração pelas vocações deve ser algo inserido em nossas famílias e comunidades cotidianamente. O mesmo podemos afirmar sobre o mês da bíblia, a leitura da palavra de Deus deve ser algo frequente em nossas famílias, e não somente em setembro, onde a igreja reflete e dar ênfase as sagradas escrituras.

A missão quando entendida como atividade, acontece justamente isso que falamos acima, ela só fica no mês de outubro, a comunidade se organiza, visita algumas famílias e espera o mês missionário do outro ano para fazer alguma outra “atividade”. Pelo contrário, quando a missão é entendida como essência, o tema da missão é sempre refletido em nossas comunidades, e no mês de outubro é dado ênfase a isso, com ações e formações missionarias, mais não se limita ao mês missionário apenas.

Missão realizada em Manaus – AM, pelo seminarista Geisilan Barbosa.

O Papa Francisco tem insistido na questão da missão, uma igreja em saída é o pedido do santo padre, a igreja do Brasil também, tem refletido: a vida é missão, Jesus Cristo é missão, a igreja é missão, e agora a responsabilidade de todos pela missão universal com tema: Ide! Da igreja local aos confins do mundo. A igreja local é justamente o local que habitamos, a comunidade em que vivemos nossa fé, ou seja, o lugar onde estamos. E os confins do mundo, são diversos lugares, longe e perto, a África, Amazônia, mas também os nossos vizinhos, os hospitais, os presídios etc. Os confins são todos os lugares onde é necessário levar esperança, fraternidade e amor.

Na mensagem para o dia mundial das missões 2023, o Papa Francisco escolheu um tema que nos ajuda a viver essa espiritualidade missionária, que é justamente o lema do mês missionário: “Corações ardentes; pés a caminho”, iluminados pelo relato dos discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35), é preciso justamente estar com o coração ardendo pela palavra de Deus, e os pés a caminho, porque jamais podemos acomodar e deixar de anunciar. O santo padre elenca alguns pontos que são importantes, primeiro: Corações ardentes, “quando nos explicava as Escrituras”. A Palavra de Deus ilumina e transforma o coração na missão. Segundo: Olhos que “se abriram e O reconheceram” ao partir o pão. Jesus na Eucaristia é ápice e fonte da missão. E por fim: Pés ao caminho, com a alegria de proclamar Cristo Ressuscitado. A eterna juventude duma Igreja sempre em saída.

Na missão não se anuncia a si próprio, suas próprias ideologias, não é lugar de proselitismo, na missão, anunciamos Jesus Cristo. Para que esse anúncio seja uma experiência verdadeira de amor, é preciso estar firmada na Palavra de Deus. Diz o Papa: “(…) o conhecimento da Escritura é importante para a vida do cristão e, mais ainda, para o anúncio de Cristo e do seu Evangelho. Caso contrário, que iríamos transmitir aos outros senão as próprias ideias e projetos? E poderia alguma vez um coração frio fazer arder o dos outros?”

Alimentado da palavra, o missionário é convidado a se alimentar do Pão, ou seja, da Eucaristia. Por diversas vezes na vida de comunidade, familiar, vem o desanimo, o medo, desesperança, e somos convidados a comer esse Pão da vida, recordamos o profeta Elias na caverna triste e com medo, quando um anjo do senhor disse: ““Levanta-te e come, porque tens um longo caminho a percorrer” 1 Rs 19, 7. Escreve o papa: “Os corações ardentes pela Palavra de Deus impeliram os discípulos de Emaús a pedir ao misterioso Viandante que ficasse com eles ao cair da noite. E, encontrando-se ao redor da mesa, os seus olhos abriram-se e reconheceram-No, quando Ele partiu o pão. O elemento decisivo que abre os olhos dos discípulos é a sequência de ações efetuadas por Jesus: tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e deu-lho.”Nos recorda Bento XVI: “Não podemos reservar para nós o amor que celebramos neste sacramento [da Eucaristia]: por sua natureza, pede para ser comunicado a todos. Aquilo de que o mundo tem necessidade é do amor de Deus, é de encontrar Cristo e acreditar n’Ele. Por isso, a Eucaristia é fonte e ápice não só da vida da Igreja, mas também da sua missão: uma Igreja autenticamente eucarística é uma Igreja missionária”.

Podemos cair na tentação de querer ficar ali, “armar tendas”, assim como no episódio da transfiguração, “Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, levantarei aqui três tendas” (Mt 17, 4), mas é preciso descer e ir anunciar, testemunhar. É preciso vir até igreja ouvir, se nutrir, e com a benção que é sempre um envio, ir cumprir a missão de batizado, anunciar o amor de Deus. No capítulo dos discípulos de Emaús tendo Jesus partido o pão, os olhos dos discípulos se abriram e eles reconheceram o Ressuscitado, os discípulos partiram sem demora e voltaram para Jerusalém, para anunciar (cf. Lc 24, 33). Este sair apressado para partilhar com os outros a alegria do encontro com o Senhor, mostra que “a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria”

Anunciemos em todos os lugares a vitória de cristo sobre a morte, ele nos deu vida. Que seja um anúncio com alegria, pois o cristão é feliz, é feliz porque experimentou o amor de Deus, e deseja transmitir isso a todos, para que todos saibam que existe alguém que nunca nos abandona, que está sempre e conosco e caminha junto, esse é Jesus.

Referências:

Mensagem para o dia mundial das mssões 2023

Exortação apostólica pós-sinodal Sacramentum caritatis

Exortação apostólicaEvangelli gaudium

Geisilan Barbosa dos Santos – Seminarista do 1º Ano de Teologia

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