Neste dia em que celebramos o segundo ano de ordenação episcopal de Dom Raimundo Vanthuy Neto, recordo com gratidão o tempo que convivemos em São Gabriel da Cachoeira. Morei com ele, caminhei ao seu lado, navegamos juntos pelas cachoeiras do Rio Negro. Ele brinca dizendo que conheci até os seus pecados; eu, porém, prefiro dizer que conheci a sua santidade.
Dom Vanthuy é um homem simples. Muito simples. Humilde de um jeito que só quem se sabe profundamente amado por Deus consegue ser. Despojado, vive como quem não retém nada para si. Se pudesse, tiraria o pão da própria boca para dá-lo a quem estivesse com fome – como de fato o fez durante nossa visita a uma pequena aldeia Hupda, no interior de Pari-Cachoeira. Dom Vanthuy é pai e pastor, daqueles que se entregam e se desgastam, e ainda agradecem o privilégio de servir.

Em muitos aspectos, ele me faz lembrar Monsenhor Bienvenu, o santo bispo de Os Miseráveis, meu livro favorito, escrito pelo francês Victor Hugo. Não por idealização literária, mas porque a vida concreta de Dom Vanthuy carrega aquela mesma força moral silenciosa, aquela mesma luminosidade espiritual que não precisa de longos discursos para ser percebida. É uma santidade que se expressa em detalhe, na simplicidade dos gestos, na serenidade do olhar, na fidelidade ao Evangelho e à Igreja.
Dom Vanthuy, assim como aquele personagem da literatura, não se impressiona com fraquezas humanas, não toma distância diante das limitações; acolhe, escuta, acompanha. E quando sorri, com um brilho particular nos olhos, é possível perceber aquela alegria do Evangelho com a qual o Papa nos exortava a testemunhar.


Tenho para mim que certos homens são dados por Deus à Igreja para recordar-nos o essencial. Dom Vanthuy é um desses. Como Monsenhor Bienvenu, carrega com leveza um peso que não é só seu: o peso do cuidado pastoral, da responsabilidade espiritual, da oferta generosa de si mesmo. E o carrega com aquela paz que só existe onde o coração está ancorado no amor e na esperança. Não à toa, por tamanha admiração, tomei como meu o lema de sua ordenação episcopal: “Servir no Amor e na Esperança” (Cf. 1Ts 1,3).
Guardo com especial carinho o gesto que Dom Vanthuy teve por ocasião da minha ordenação diaconal: uma bonita carta, na qual recordava nossa experiência missionária e refletia sobre o sentido do serviço diaconal.
Caro Dom Vanthy, que Deus o conserve firme, sereno, alegre e fecundo em seu ministério. E, se um dia eu puder ser um pouco do pastor que o senhor é, já terei recebido graça demais. Feliz ministério, querido bispo!



Diácono Carlos Daniel – Paróquia Missionária São Francisco de Assis (Laranja da Terra).


