E quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (cf. Jo 12, 32)

O dia de amanhã dará início à semana mais importante para todos: a Semana Santa. Semana esta que nos dá a grande graça de mergulhar profundamente nos eventos mais importantes de nossa redenção e viver, com Cristo, nos unindo a Ele em sua Paixão e Morte, o grandioso Mistério Pascal, o grande mistério da nossa fé, recebendo com Ele uma nova vida.

No dia 5 de abril de 2023, o Papa Francisco numa catequese com o tema “O crucifixo, fonte de esperança”, proferida numa audiência geral, exortou aos fiéis a se preparar para a Semana Santa com as seguintes palavras:

Nestes dias da Semana Santa, preparamo-nos para celebrar o mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus. A cruz, que a princípio parece um sinal de derrota e desespero, revela-se, em vez disso, a árvore da vida e a fonte de esperança eterna.

Após uma longa escravidão no Egito, Deus olha para o povo de Israel e o liberta das mãos do faraó, fazendo-os peregrinar pelo deserto e passar pelo mar vermelho rumo à terra prometida, a Canaã; este acontecimento é relembrado com grande júbilo e festa até os dias de hoje pelo povo judeu. Do mesmo modo que Deus libertou o seu povo da escravidão, Jesus Cristo (O Deus que se fez homem) nos libertou do pecado. Assumindo a nossa humanidade, viveu neste mundo um exílio, uma vida de morte, seja ao sofrer a perseguição dos fariseus, seja na solidão no horto das oliveiras, na fuga dos apóstolos diante da sua prisão, na traição de judas, na negação de Pedro e até no abandono de Deus que ao olhar os nossos pecados que eram redimidos no seu corpo desfigurado abandona-o na cruz para que nós não sofrêssemos este abandono.

O povo de Israel passou pelo mar vermelho a pé enxuto e Cristo na Sexta-Feira santa passa pelo mar, não o vermelho, mas o da morte, entregando-se primeiro na Ceia e depois na cruz, ressuscitando glorioso, triunfante e majestoso no domingo de Páscoa. Ele experimenta a morte primeiramente para a nossa salvação e redenção, mas também para mostrar-nos que nunca estaremos sozinhos e que “nem a morte será capaz de nos separar do amor de Deus” (Fl 8, 38-39). Nos lembra também que um dia passaremos por ela, contudo, recorda que ela não tem a palavra final pois ressuscitou e triunfa sobre a morte.

Ao ver Cristo elevado na cruz e seu imenso amor a pergunta que ressoa aos nossos corações é: “como não amar um Deus assim?” que se fez pequeno, esvaziando-se para nos cumular, nos encher de graças, nos fazer participantes de sua vida divina, conquistar para nós todos os seus tesouros e entrar no céu de corpo e alma com nossos pecados redimidos, nos permitindo um dia entrar também nesta celeste morada para vivermos eternamente felizes ao seu lado e contemplar os seus mistérios. Nunca nos esqueçamos que Cristo na cruz, como um vaso quebrado, derramou sobre nós todo o seu espírito, e além disso, após ter dado a si mesmo, nos deu sua mãe, A Santíssima Imaculada Sempre Virgem Maria dizendo a ela “mulher, eis o teu filho” (Jo 19, 26) e ao discípulo “Eis a tua mãe” (Jo 19, 27). Temos uma mãe que cuida e intercede por cada um de nós junto a Deus e que se preciso fosse subiria novamente o Calvário com o seu Filho deixando-se transpassar por aquela espada de dor que feriu sua alma para nos ver um dia no convívio dos eleitos junto a todos os anjos e santos.

Cristo, desde sua elevação na cruz, continua chamando cada ser humano a Ele, e eis aí o motivo de nossa esperança: saber que há um Homem que nos ama com um amor muito maior que qualquer amor humano, pois nos ama divinamente… e que este Homem é Jesus. E que está mais próximo de nós do que nós imaginamos: habita dentro de nós. E de dentro, no íntimo do íntimo continua a nos atrair a Ele. Que vivamos esta semana com todo o nosso coração voltado ao Sagrado Coração de Jesus, aberto por aquela lança no dia de sua crucificação, e peçamos a Ele que aumente a nossa fé, pois “d’Ele, por Ele, para Ele são todas as coisas. A Ele a glória por toda eternidade! Amém” (Rm 11, 36).

Mateus Torezani Campos Dall Orto – Seminarista do 2° Ano do Discipulado

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