O reitor do Seminário Diocesano Maria Mãe da Igreja, padre Edgar Rigoni, participou de um curso para reitores em Roma. A seguir, ele mesmo relata essa experiência:

De 7 a 19 de novembro, participei do CURSO PARA REITORES E FORMADORES DE SEMINÁRIOS LATINO-AMERICANOS, em Roma. Éramos 130, oriundos de 17 países de toda a América Latina, dentre estes 48 brasileiros. Foram dias de profunda comunhão e integração entre os participantes. Havia ali vários idiomas, português, espanhol, italiano, latim, inglês, porém o amor pela formação dos futuros presbíteros da Igreja latino-americana supera todas as barreiras e dificuldades. Houve momentos profundos de espiritualidade, eucaristia celebrada, partilha ao redor da mesa sempre com uma boa “pasta”, futebol e as “provocações” Argentina x Brasil.

Com todo esse clima fraterno e de um verdadeiro pentecostes da formação, fomos conduzidos, mergulhando profundamente nas temáticas pertinentes da formação, abrindo nossos corações ao espírito da Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis de 2016, refletindo sobre a identidade do sacerdote diocesano “Ministro Sagrado e Pastor”, olhando para a formação humana a partir de uma perspectiva integral, levando a um processo de amadurecimento da personalidade presbiteral e tendo como centralidade a vida espiritual em Cristo.

Fomos convidados a mergulhar na antropologia atual e na formação sacerdotal, e alguns temas mais pertinentes como o dom do celibato, o acompanhamento de seminaristas com tendências homossexuais, a prevenção ao abuso de poder e de menores, o discernimento vocacional e a idoneidade dos candidatos às Ordens Sagradas. Na conclusão, fomos enviados para a missão formativa, com uma bagagem repleta de conteúdo, que renova o nosso ardor formativo pelo bem dos jovens e da nossa Igreja.

Esse envio foi fortalecido por momentos especiais. Destaco o retiro espiritual orientado pelo cardeal brasileiro João Braz de Aviz, momento de profunda espiritualidade e escuta. De forma espontânea, dom João falou das experiências vocacionais do seu ministério e, a partir do seu testemunho, foi nos conduzindo a rezar sobre os “sacerdotes discípulos de Jesus, pastores do Povo de Deus na crise do desempenho comunitário”.

Destaco algumas falas que nos ajudaram a rezar:

“As exigências do evangelho são para todos, é o mestre que nos fala e por isso devemos procurar meios de como entrar na exigência do evangelho.”

“Precisamos abrir novas estradas, com fidelidade ao evangelho, com fidelidade ao concílio e na escuta aos que chegam.”

“A roupagem de santidade não basta. Quem cai na mundanidade espiritual olha de cima e não está aberto ao diálogo e à escuta.”

“Como vamos caminhar numa espiritualidade se não amamos o Papa Francisco?”

Com esse amor ao Papa Francisco, destaco a audiência privada que vivenciamos com o Santo Padre. Mesmo com o peso da idade e as dores nas articulações, vimos um coração paterno e dócil, um sorriso com o qual a todos cumprimentava. Em sua fala, ele deixou de lado o discurso oficial de 12 páginas e por 15 minutos falou do seu coração de pastor da Igreja. O Papa, falando espanhol, disse: “quero compartilhar três ou quatro coisas que tenho no coração para a sua vida sacerdotal, especialmente para a vida dos formadores no seminário”. E assim emana o convite de “viver a proximidade, a ternura e a misericórdia”.

Ele também disse que é triste ter padres “à frente de uma paróquia que gritam em alta voz” ou que “simplesmente vivem de três ou quatro coisas e não sabem dialogar”. É feio ver sacerdotes “incapazes de acariciar uma criança, de beijar um idoso” ou que são rígidos para com quem vem pedir perdão na confissão. E falou sobretudo da oração, porque “um sacerdote que não reza acaba no aterro”. Por fim nos exortou: “Não se esqueçam do cheiro do Povo de Deus”.

Assim retornamos para as nossas casas formativas, não só alimentados por uma boa “macarronada”, mas saciados de conteúdo, de espiritualidade, de humanidade, de testemunho e de partilha, que são os alimentos de uma Igreja viva e próxima. Aproveito e menciono toda a proximidade e simplicidade dos oficiais do Dicastério para o Clero, desde o prefeito dom Lázaro, com um coração humano e acolhedor, até todos os colaboradores e secretários. Só temos a agradecer e colocar essa riqueza em prática e em favor da formação.

Padre Edgar Rigoni
Reitor do Seminário Diocesano Maria Mãe da Igreja
Vice-presidente nacional da Organização dos Seminários e Institutos Filosófico-Teológicos do Brasil (OSIB)

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