Estou em missão na Amazônia, mais especificamente na Igreja do Rio Negro, na Diocese de São Gabriel da Cachoeira. Cheguei há pouco tempo, e em pouco tempo tenho experimentado a realidade de uma região complexa e plural, como acenamos naquela primeira Experiência Vocacional Missionária Nacional através da carta “Luzes para o Caminho”. De fato, tenho experimentado a riqueza de uma Igreja que busca ser viva, ministerial e profética.

Pode parecer desnecessário uma informação como essa, mas, uns dias atrás, adicionei à biografia do meu instagram um pequeno item: “Missionário na Amazônia”. Outro dia, me lembrei de uma conversa muito sincera que tivemos em nosso seminário sobre o tema da missão. E ainda nesses dias, meditando a liturgia diária, me deparei com o evangelho da missão de Pedro: “Tu serás pescador de homens” (Lc 5, 1-11).

Essas três situações me levaram a refletir minha própria condição, minhas inseguranças e incertezas: pra ser missionário não precisa estar pronto.

Nenhum dos que Deus chamou estavam prontos. Praticamente todos eles deram alguma desculpa: Abraão já tinha idade avançada (Gn 24,1); Moisés não tinha o dom da palavra (Ex 6,12); Davi era o mais novo dos irmãos (1Sm 16,11); Isaías tinha os lábios impuros (Is 6,5); Pedro se considerava pecador (Lc 5,8); Paulo era perseguidor dos cristãos (1Cor 15,9)… e por aí vai!

Pra ser missionário não precisa ter muito a oferecer. Assim cantamos: “as mãos mais pobres são as que mais se abrem para tudo dar”. Não foi isso que fez a viúva de Sarepta (1Re 17, 12), e a viúva pobre diante do cofre público (Lc 21,2)? Não era assim o ministério de Pedro e João (At 3,6)?

Por que tanto medo e tantas desculpas para assumir a missão? Não avançaremos para águas profundas? Ficaremos na margem? O cansaço, o desânimo e a hesitação são correntezas que precisam ser superadas. Se desistimos no banzeiro da dúvida, vacilamos e voltamos atrás.

Só existe uma única exigência para ser missionário: seguir Jesus, isso basta! O resto ele ajeita. Sim… porque o Reino é de Deus, não é nosso – embora seja para nós. A missão é de Jesus, não é nossa. É ele quem nos envia, nos dá força e caminha conosco. A missão não se faz sozinho, se faz com a Igreja. Somos colaboradores de Deus, somos colaboradores uns dos outros.

Se Jesus nos envia, não há o que temer. Atentos a sua palavra navegaremos com os remos da fé, sentindo a brisa da esperança, impulsionados pelo seu amor.

Com Jesus, a pesca será abundante. Com Jesus, a missão será frutuosa.

Carlos Daniel de Souza Martins – Seminarista em síntese Missionaria na Diocese de São Gabriel da Cachoeira – Am

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