“O que fizeste a um destes pequeninos é a mim que o fizestes” (Mt 25,40)

Ainda hoje as palavras de Jesus, necessitam ser ecoadas por todos os cantos da terra, e é preciso ter um olhar amoroso, mais do que falar, ter a precisão de ser a imagem do próprio Cristo para com o outro, como nos é apresentado por Pe. Zezinho, em sua canção: “Amar como Jesus amou, sonhar como Jesus sonhou, pensar como Jesus pensou”…


Como nos é apresentado na carta de São Paulo aos Colossenses, a igreja é um corpo, e Cristo a sua cabeça, concepção bela sobre a unidade da Igreja (Col 1,18). Por tal razão, sendo a igreja um corpo, pode-se fazer uma analogia com o próprio corpo humano, afinal, quando batemos o “dedinho do pé” na quina da porta, por acaso é somente o dedo que sai prejudicado? Ou o corpo todo sente aquela dor, aquele incomodo?


Creio que vamos concordar! Todo o corpo se sente incomodado com tamanha dor. Da mesma forma, este sentimento deve ser no corpo da Igreja, pois somos um, somos todos irmãos e irmãs (Fratelli tuti, 2020). De tal forma, vejo nessa analogia, a necessidade missionária da Igreja. Temos o dever de zelar e demonstrar esse amor de Cristo para com os outros, cristãos ou não, pois esse foi o mandato de Jesus Cristo, “ide por tudo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).


Creio que essa foi a principal certeza que obtive ao estar na Diocese de São Gabriel da Cachoeira (AM). Uma realidade completamente diferente da Igreja de Colatina (ES), em vários aspectos. Consegui perceber e rezar a beleza, a riqueza de suas tradições e costumes, pessoas, irmãos e irmãs nossos, realmente dispostas a trabalhar pelo reino, e a levar o Cristo impregnado em nós, para aqueles que sofrem e precisam de uma mão amiga.


Percebi o papel fundamental que a Igreja teve e tem, na região de São Gabriel, tanto para à evangelização, como em seu desenvolvimento, por exemplo, nos aspectos da escolaridade e saúde. Claro que a igreja também teve as suas dificuldades no passado, e como tal, deve não os repetir. Porém, mesmo com tais dificuldades, é reconhecível a importância da igreja que levou aos povos o conhecimento das ciências, a busca de melhores condições de trabalho, e a capacidade de lutar pelos seus direitos e de preservar a natureza e seu valor.


Realmente, São Gabriel da Cachoeira é um campo vasto para o trabalho missionário, na evangelização e luta pela dignidade humana. Foram tantos aspectos que pude vivenciar em pouco tempo, que através de palavras ou de frases não conseguiria expressar.

A todo caso, vale destacar o valor da missão de tantos padres, religiosos (as) e leigos (as) que em São Gabriel exercem ou exerceram algum trabalho. Trago em destaque, (em um aspecto Diocesano) que atualmente a Diocese de São Gabriel da Cachoeira possuí 21 sacerdotes, 5 do clero local, e os demais de fora da região, de outros locais do Brasil e do mundo. Destaco tal ponto, para observarmos o valor que a missão tem para à Igreja! Imagina se tivéssemos o pensamento “egoísta” de pensar somente na nossa realidade, de enxergar apenas a nossa igreja local, como será que a igreja de São Gabriel estaria hoje? Aliás, como estariam tantas outras Igrejas, que necessitam de missionários, em todas as partes do mundo?


Agradeço a Dom Lauro Sérgio Versiani Barbosa, nosso bispo diocesano, e a comissão de formação de nossa diocese, pela oportunidade de conhecer a realidade da Igreja do Rio Negro. E na pessoa de Dom Raimundo Vanthuy Neto, Bispo Diocesano de São Gabriel da Cachoeira, agradeço a todos que me acolheram e me possibilitaram conhecer estas terras amazônicas.

Retorno para a casa, já com saudades e com a esperança de poder retornar. A Carlos Daniel, irmão de caminhada, que continua sua experiência missionária até dezembro, minha gratidão e orações. Que Nossa Senhora da Saúde, padroeira da Diocese de Colatina, interceda por todos nós.

Wellington Tolentino Gomes – Seminarista do 1º Ano de Teologia.

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