“Na imagem tão pequena, tu és ó Mãe Morena, a Padroeira do Brasil”

Neste mês de outubro, dedicado ao rosário, e também as Santas Missões, do qual, recordamos que, pelo sacramento do batismo, todos nós nos tornamos missionários a serviço do Reino. Neste ano, a proposta do Mês Missionário, nos convida a refletir junto dos discípulos de Emaús (cf. Lc 24,13-35), convite este, da Igreja e do próprio Cristo, a obedecer “Ide! Da Igreja local aos confins do mundo”.

Também no mês de outubro, voltamos carinhosamente o nosso olhar para a pequena cidade de Aparecida, região norte do Estado de São Paulo, para a grande Basílica que guarda a pequena imagem de terra cota, da Imaculada Conceição, que veneramos como “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”, Rainha e Padroeira do Brasil, é impossível não nos recordarmos do “Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida. Salve Virgem Imaculada, ó Senhora Aparecida”.

Maria, ensinai-nos que vocação é graça e missão”, é o tema proposto para a festa da padroeira deste ano, que desde o dia 03 até o dia 11 de outubro, nos fez percorrer um caminho de reflexão e oração na novena preparatória para o grande dia da padroeira.

O encontro da pequena imagem de Aparecida, se deu em 1717, quando três pescadores – João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia – ficaram encarregados de conseguir peixe para a festa que a Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá iria oferecer ao governante da capitania hereditária de São Paulo e Minas de Ouro, que estava de passagem pela região. O problema é que, naquela época, não era tempo de peixe naquele mês.

Após várias tentativas puxando a rede no Rio Paraíba do Sul, um pedaço do corpo de uma imagem de Nossa Senhora Conceição apareceu para os pescadores. Curiosos, eles lançaram a rede mais uma vez e pescaram a cabeça da imagem, que se encaixou perfeitamente ao corpo.

Eles colocaram a imagem da santa no barco. E depois disso, os peixes começaram a aparecer, em quantidade abundante, tão grande que quase fez o barco virar, segundo os relatos históricos da tradição católica.

A imagem da santa foi então levada para a casa de Silvana da Rocha Alves, esposa de Domingos, mãe de João e irmã de Felipe, que juntou as duas partes com cera e fez um altar para a santa. E foi ali que teve início a devoção à santa: todos os sábados os moradores iam até a casa de Silvana para rezar para Nossa Senhora – que depois tornou-se padroeira do Brasil. 

Anos depois, já em 1732, o pescador Felipe Pedroso entregou a imagem a seu filho, que construiu o primeiro oratório aberto ao público. A partir daí, foi construída uma capela, uma igreja, uma basílica até que, em 1946, foi lançada a pedra fundamental para a construção do novo santuário, o quarto maior do mundo, iniciada em 1955. Esse ano, a aparição da imagem de Nossa Senhora Aparecida completou 300 anos, estando as comemorações com uma programação extensa de homenagens e celebrações.

Diante da pequena imagem da Virgem Maria, multidões passam para rezar, agradecer e pedir. Vai nos disser Renato Teixeira em um dos seus versos da música Romaria: “Me disseram, porém, que eu viesse aqui, pra pedir em romaria e prece, paz nos desaventos… como não sei rezar, só queria mostrar, meu olhar, meu olhar, meu olhar…”

Nossa Senhora da Conceição, que recebeu o nome de Aparecida por ter “aparecido” aos pescadores, foi proclamada rainha do Brasil em 1904 e, em 1930, passou a ser a padroeira do país. Somente em 1953 é que a festa de Nossa Senhora passou a ser celebrada no dia 12 de outubro, por determinação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

“O Brasil, desde a sua colonização, tem uma identidade católica. E a devoção aos santos é algo muito próprio da Igreja Católica. Por isso, a devoção, sobretudo à Nossa Senhora, que é a santa das santas e a mãe de Jesus, é algo que está muito presente na vida do catolicismo. A partir desse encontro (da aparição da imagem aos pescadores) surgiu a devoção a essa que o povo passou logo a chamar de ‘Aparecida’”, explicou o padre João Batista, do Santuário Nacional.

Ainda explica que, “Nós brasileiros temos uma ligação muito forte com a figura da nossa mãe. Sentimos muito a ausência da mãe quando ela não está conosco. Nossa Senhora, a mãe de Jesus, ocupa, dentro do universo religioso esse espaço materno, esse colo materno. Por isso ela cativa o povo brasileiro, tanto o povo simples e humilde quanto os governantes como foi o caso da Princesa Isabel e de D. Pedro I”.

Desde 1980, por força de decreto presidencial, o 12 de outubro passou a ser dedicado à padroeira, motivo pelo qual a data tornou-se feriado nacional.

Que nossa Mãe, Padroeira do Brasil, sempre nos abençoe e enterceda por nós junto a nosso Senhor Jesus Cristo.

Kleidson Ayolphi – Seminarista do 1º Ano de Filosofia

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