Missão e sinodalidade são as palavras que mais escutamos em nossas paróquias e comunidades. São convites do Papa Francisco para toda Igreja:

  • A necessidade de uma igreja missionária, que saia das quatro paredes e cumpra a missão dada por Cristo: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16, 15).
  • Uma igreja sinodal, que volte o olhar para si, e ouça os sinais dos tempos, ouvir, dialogar e todos juntos em comunhão mudar a realidade que nos cerca e “para nos encontrarmos e ajudar mutuamente, precisamos de dialogar” (FT n°198).

Ao falar de anúncio e de escuta não podemos deixar de falar de vocação, e é justamente esse o tema do 3° ano vocacional do Brasil: Vocação, graça e missão, “corações ardentes, pés a caminho” (cf. Lc 24, 32-33), que se inicia na solenidade de Jesus Cristo, Rei do universo e vai até o dia 26 de novembro de 2023.

Não há momento melhor para celebrar o 3° ano vocacional. Nossa sociedade se encontra carente de algo, um vazio que necessita ser preenchido, e é Deus, quem preenche essa lacuna, quando nos colocamos na prontidão para ouvir e responder o chamado que Ele nos faz cotidianamente.

Ao falar de vocação caímos no “achismo” de que vocação é coisa só de padres e freiras, mas não é! Todos nós somos vocacionados, pois todos somos chamados por Deus. Primeiramente chamados a viver, a vir ao mundo e passar fazendo bem, como fez o Mestre (At 10, 38). Também somos chamados a sermos santos “sejam santos, porque eu sou santo” (1 Pd 1, 16), e “para ser santo não é necessário ser bispo, sacerdote, religiosa ou religiosa” (GeE n°14), pois, a santidade é um chamado que Deus faz a todos nós, como confirma a Lumen Gentium: “todos os cristãos, qualquer que seja a sua condição ou estado, são chamados pelo Senhor a procurarem, cada um por seu caminho, a perfeição daquela santidade pela qual é perfeito o próprio Pai celeste” (n°11).

O ano vocacional do Brasil tem esse propósito, fazer com que as pessoas tomem consciência de sua vocação, compreendendo quem chama, e para o que chama. Como afirma Dom Walmor, Presidente da CNBB, na abertura do 4º Congresso Vocacional do Brasil: “Sem consciência vocacional, a Igreja não terá o vigor missionário que ela precisa ter”.

Refletir sobre o tema da vocação mais uma vez, é reafirmar os convites feitos pelos papas de nossa Igreja. Em 1967, ou seja, a mais de 50 anos atrás, o papa Paulo VI publicou a encíclica Populorum Progressio, e dizia: “Nos desígnios de Deus, cada homem é chamado a desenvolver-se, porque toda a vida é vocação” (n°15), afirmando assim que antes mesmo de formados no ventre, Deus já nos chama (Jr 1,5) e quer que sejamos Dele, para amar e cuidar de seus filhos.

Em 2001, por ocasião do XXVIII dia mundial de oração pelas vocações, São João Paulo II afirmou que: “Considerar a vida como vocação facilita a liberdade interior, estimulando na pessoa o desejo de futuro, juntamente com a rejeição de uma concepção passiva, aborrecida e banal da existência.

A vida assume o valor de “dom recebido, que tende, por sua natureza, a se tornar bem doado”, ou seja, tomar consciência de sua vocação e assumi-la é encontrar o sentido da vida, que é Jesus Cristo, é compreender a sua missão aqui nessa terra.

E hoje? O que nosso Santo Padre quer comunicar com suas cartas, exortações, encíclicas? O papa tem repetido tanto sobre a necessidade da escuta, mas escutar o que? Escutar a voz de Deus, o chamado que ele tem feito a cada um de nós, assim como fez com Mateus, o cobrador de impostos, “Siga-me” (Mt 9, 9). Escutar os pobres e abandonados da sociedade que clamam por justiça e igualdade, pois vocação é servir ao outro, como fez o Mestre “estou no meio de vocês como quem está servindo” (Lc 22, 27). Escultar também os sinais dos tempos, observando, não fechando os olhos para os acontecimentos do agora. Ouvir e agir, assim como Maria ouviu, mas também como Marta trabalhou (Lc 10, 38-42).

A reflexão sobre do ano vocacional perpassa pelo próprio tema: Vocação, graça e missão. No primeiro capítulo do texto-base temos a vocação refletida a partir do concílio vaticano II, Documento de Aparecida e do pontificado do Papa Francisco. Em seguida temos a vocação é graça, iluminada pela passagem de Marcos 3, 13-19, onde Jesus chama os doze discípulos. No último capítulo temos a vocação é missão, na dinâmica de uma Igreja sinodal, ciente da trilha que vamos caminhar e com algumas pistas de ação.

Que possamos neste ano vocacional, rezar pelas vocações sacerdotais e religiosas, como também pela vocação dos jovens, para que ouçam e respondam ao chamamento de Deus.

Sejamos capazes de dialogar em nossas famílias e em nossas comunidades a necessidade do discernimento vocacional, assumindo assim a missão que Deus nos concede, pois, “a colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Lc 10, 1).

Portanto, assumamos a nossa vocação de discípulos(as) missionários(as), e saiamos apressadamente como fez Maria (Lc 1, 39) em direção aos esquecidos, aos pobres e aos desesperançados de nossa sociedade.

“Atraídos por esse Rosto tão amado, que adoramos na Sagrada Eucaristia e reconhecemos na carne do irmão sofredor. Que o Espírito Santo os impulsione nessa corrida a diante. A Igreja necessita de seu entusiasmo, suas intuições, sua fé” (ChV n°299).

Seminarista Geisilan Barbosa dos Santos – 3° ano de filosofia.

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